Cognição, Imersão e Alfabetização

Cognição, Imersão e Alfabetização
Cristine Conforti, Head of Brazilian Program e Anne Baldisseri, Head of Primary Division


Por que a imersão?

A imersão é uma abordagem natural e eficaz para aprender a língua. As crianças, quando imersas em uma segunda língua, são capazes de desenvolver o vocabulário e a sintaxe necessários para se comunicar e interagir nesta língua.

O potencial para falar é geneticamente programado e bastante sensível às características da língua materna. Os sons amorosos da fala e dos cantos das mães olhando para seus filhos despertam os balbucios dos bebês que vão, pouco a pouco, se organizando em sílabas que traduzem os objetos, os desejos, a linguagem, enfim.

A linguagem só se realiza porque é uma ferramenta afetiva (significado de língua materna) e, sobretudo, social. Por isso, é importante que esta segunda língua (a da imersão) seja apresentada em um cenário o mais próximo possível da vida fora da escola, com a naturalidade do aconchego e do vínculo familiar.   

A imersão em uma língua reproduz a mesma operação de aprendizagem da língua materna.

A leitura é um passo posterior ao da fala. É mais complexo e anuncia a entrada da criança no mundo da cultura. Em termos psíquicos, corresponde a uma caminhada do colo materno ao universo paterno, ao mundo organizado da civilização letrada e escrita em que vivemos.

Quando a criança se inicia na aprendizagem da leitura, ela já possui um bom domínio da língua oral. Para aprender a falar, as crianças usam os sons da língua materna para construir as palavras com as quais nomeiam as coisas, os personagens, o mundo que ela conhece.

Se a criança estiver em imersão no contexto social do Inglês, poderá adquirir as ferramentas da oralidade que irão levá-la à leitura e à escrita mais natural e rapidamente.

É importante ressaltar que a aprendizagem da leitura e da escrita não é linear. Ela se realiza pelo que chamamos de "salto cognitivo".

Estas crianças, em sua maioria, demoram um pouco mais para começarem a falar. Esse período de latência é necessário para o processamento interno. Quando ele amadurece, as crianças começam a falar simultaneamente as duas (ou três línguas), e o salto cognitivo é surpreendente!

Na Avenues, as crianças serão alfabetizadas primeiro em Inglês e depois em Português. Estamos fundamentando nosso modelo de imersão em pesquisas que sugerem que falantes de primeira língua que vivem no país onde sua primeira língua é a língua oficial, devem aprender a ler primeiro na segunda língua.

Chamamos de línguas transparentes aquelas em que se escreve de maneira quase que inteiramente previsível, considerando a representação gráfica dos sons. É o caso do português, espanhol, italiano e sobretudo o alemão. O inglês, ao contrário, é mais opaco, traz muitas grafias imprevisíveis para os mesmos sons.

Há um grande número de variações no inglês. Em português contamos com 31 sons e em inglês com 44-46 sons (fonemas). Em português temos por volta de 3000 sílabas diferentes. Em inglês, são 7000 ou 8000.

A linguística não afirma que as línguas transparentes são mais fáceis, ou que as opacas são mais difíceis para a alfabetização. Apenas mostra que a identificação das palavras por associação entre som e letra ocorre mais cedo nas línguas com ortografia transparente do que nas línguas com ortografia opaca.

Aprender a ler é diferente de saber ler. Quando se aprende a ler, é necessário compreender os mecanismos que ligam as unidades gráficas (texto) e as unidades fônicas (som).

Por isso, quando aprendizes, as crianças leem aos soquinhos, se esforçando para fazer as conexões entre grafia e som. Quando elas já sabem ler, esses mecanismos estão automatizados e, mais importante, são transferidos de língua para língua.

A criança que domina o princípio alfabético no começo da aprendizagem da leitura escancara as portas de seu desejo de conhecimento sobre o mundo escrito. Ela não sabe ler, mas sabe como consegui-lo.

No nível afetivo, a criança descobre o universo da leitura pela voz daqueles em quem ela confia e com quem se identifica. A escuta da leitura em voz alta pelos pais e professores contribui para oferecer o gosto pelas palavras e pelo conhecimento, e cria o desejo de ler por si mesmo. A leitura de livros de histórias em classe e em grupo suscita as interações e formas de compartilhamento intelectual entre os pares.

Do ponto de vista linguístico, leitura e escrita não são competências independentes. Elas implicam capacidades cognitivas diferentes, mas interligadas. Do ponto de vista filosófico, ler e escrever são formas de descobrir o mundo e participar dele. Ler e escrever ensinam a pensar. E a Avenues é uma nova escola de pensamento.  

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A Avenues existe para "educar futuros líderes competentes e preparados para entender e resolver problemas de escala global". Assim, é necessário que nossos alunos desenvolvam a competência para o futuro, ou seja, eles precisam ter a capacidade de navegar em um mundo cada vez mais complexo, interconectado e incerto. Com isso, eles ganharão impulso para construir caminhos globais flexíveis na direção de futuros sustentáveis e renováveis.

COMMUNITY

Conheça Sylvia Guimarães
Avenues São Paulo Creative Team

Sylvia Guimarães ingressa na Avenues São Paulo como Director of Community Engagement. Sylvia possui profunda experiência em educação popular e comunitária, gestão de organizações cívicas, desenvolvimento de projetos e políticas sociais, especialmente na área de leitura.